
E então minha mãe disse: "você andou tanto de vespa quando era criança."
Ela comentou que saíamos os quatro, meu pai, ela, eu bebê entre os dois e meu irmão ainda pequeno de pé na frente. E íamos todos ao supermercado e ainda voltávamos com algumas sacolas naquele meio de transporte que deveria ser pra uma pessoa e, naquelas ocasiões, servia para quatro. E completou: "que tempo bom aquele."
E eu senti uma saudade tão grande de um tempo que não lembro. Tão grande.
Talvez todas as vezes que eu vejo passar uma Vespa é isso que vejo passar, mesmo sem lembrar. Talvez por isso sempre sinta um clima nem quente nem frio quando passa a tal moto, uma sensação de liberdade, de passado, de feriado. Eu nunca penso no futuro ao ver uma Vespa. Nunca penso em velocidade, nunca penso em nada. Só penso no momento.
Momento que passa voando...