Eu acredito na existência de algo que pode ser chamado de alma. E acredito na sua imortalidade e atemporalidade.
Aliás, eu acredito na eternidade como atemporalidade, e me refiro à atemporalidade como completa ausência da ideia de tempo.
E penso que como algo atemporal, ela não existe de forma cronológica, e não é gerada dia após dia, hora após hora, como é gerada a nossa existência corporal. Penso que esse algo que pode ser chamado de alma já existe. Tanto o antes, o agora e o depois dele já existem.
E fazer uma alma atemporal compactuar com corpo e mente cronológicos é complicado. É um exercício mais que físico. É, no mínimo, sobrenatural.
E nessa tentativa de fazer compactuar, penso que às vezes a mente se confunde.
Muitas vezes temos respostas para o que precisamos fazer através do simples fato de que sabemos o que devemos fazer. Porque há lampejos de 'vidência' em nós, já que a nossa alma/coração sabe de coisas que a nossa mente jamais será capaz de vislumbrar.
Daí cometemos o erro de pensar demais, racionalizar, e de tirar a alma das nossas ações, das nossas decisões, e das nossas vidas.
E como tirar aquilo que é exatamente o que define a nossa vida?
Essa semana, andando por aí à toa, me lembrei de uma situação em que um lampejo foi muito claro. Foi, na verdade, um clarão. Mas eu preferi a temporalidade e a limitação do meu corpo e da minha suposta racionalidade e inteligência, e errei feio. Talvez o maior erro da minha vida.
E nos últimos anos cometi outros, pelo mesmo motivo, mas em assuntos completamente diferentes. E assim talvez sejamos sempre, pois esse corpo e essa mente são prisões muito tentadoras, e que se acreditam muito auto-suficientes.
E é por isso que o meu desejo para 2012, 2013, 2014 e todo o resto que houver, é ser capaz de racionalizar menos, de pensar menos, de ter mais seriedade, e de me lembrar da eternidade que se fez homem por nós, para, na minha opinião, através dele nos lembrar da eternidade que houve, que há e que haverá.
E eu anseio com calma pelo dia em que sempre e nunca se igualarão, na ausência absoluta do tempo. 'Eternamente'.
Feliz Dezembro, Feliz Natal, e Feliz Ano Novo.
sábado, 17 de dezembro de 2011
sexta-feira, 8 de abril de 2011
"Al otro lado del río"
Foi preciso ir um pouco longe
Pra chegar a um lugar que deveria
Talvez
Ser um pouco perto
Mesmo que só um pouco
Foi preciso esquecer um pouco o norte
Ou os nortes
Descer para o sul
E cruzar um grande rio
Que divide e une tanta coisa
Foi preciso reparar o sol nascer
Foi preciso reparar o sol
E cruzar fronteiras
Para entrar num território privado
E foi preciso parar
Sozinho
Só com o rio
Que refletia o sol que nem prata
"Brisa del mar"
Crianças pelas calçadas
Com jalecos brancos
E laços azuis
Mate
Por todos os lados, mate
Saudade
Por favor, não me mate
O mundo estava ali
Todo dentro daquele momento
Quando algo de mim se juntou ao rio
Pra correr para o mar
E tentar se libertar
"No hay otra norma
Todo se transforma"
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
Campo branco...

"Campo branco minhas penas que pena secou
Todo o bem qui nóis tinha era a chuva era o amor
Num tem nada não nóis dois vai penano assim
Campo lindo ai qui tempo ruim
Tu sem chuva e a tristeza em mim
Peço a Deus a meu Deus grande Deus de Abrãao
Prá arrancar as pena do meu coração
Dessa terra sêca in ança e aflição
Todo bem é de Deus qui vem
Quem tem bem lôva a Deus seu bem
Quem não tem pede a Deus qui vem
Pela sombra do vale do ri Gavião
Os rebanhos esperam a trovoada chover
Num tem nada não tembém no meu coração
Vô ter relampo e trovão
Minh'alma vai florescer
Quando a amada a esperada trovoada chegá
Iantes da quadra as marrã vão tê
Sei qui inda vô vê marrã parí sem querer
Amanhã no amanhecer
Tardã mais sei qui vô ter
Meu dia inda vai nascer
E esse tempo da vinda tá perto de vin
Sete casca aruêra cantaram prá mim
Tatarena vai rodá vai botá fulô
Marela de u'a veis só
Prá ela de u'a veis só"
sábado, 15 de janeiro de 2011
Tres mil millones de latidos
"Estoy aquí de paso, yo soy un pasajero.
No quiero llevarme nada,
ni usar el mundo de cenicero.
Estoy aqui sin nombre
y sin saber mi paradero,
me han dado alojamiento
el mas antiguo de los viveros.
Si quisiera regresar
ya no sabria hacia donde.
Pregunto al jardinero
y el jardinero no me responde.
Hay gente que es de un lugar,
no es mi caso yo estoy aquí de paso
El mar moverá la luna o la luna a las mareas,
se nace lo que se es
o se sera aquello lo que se crea.
Yo estoy aqui perplejo,
no soy mas que todo oidos,
me quedo con mucha suerte
tres mil millones de mis latidos..."
No quiero llevarme nada,
ni usar el mundo de cenicero.
Estoy aqui sin nombre
y sin saber mi paradero,
me han dado alojamiento
el mas antiguo de los viveros.
Si quisiera regresar
ya no sabria hacia donde.
Pregunto al jardinero
y el jardinero no me responde.
Hay gente que es de un lugar,
no es mi caso yo estoy aquí de paso
El mar moverá la luna o la luna a las mareas,
se nace lo que se es
o se sera aquello lo que se crea.
Yo estoy aqui perplejo,
no soy mas que todo oidos,
me quedo con mucha suerte
tres mil millones de mis latidos..."
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
Aquela vida que eu sonhei

Sabe aquela vida que uma vez sonhei?
Tinha vários labradores sendo levados pra passear pelos donos
E crianças aprendendo a caminhar
Com aquele jeito caindo pra frente
Que só as crianças têm
Tinha pessoas educadas, mas sérias
Felizes, mas sóbrias
Pessoas que sorriam mais do que riam
Tinha pessoas
Tinha árvores e folhas
Mas poucas flores
Tinha cores, mas poucas
Tinha preto
Tinha branco
E tinha silêncio
Que é a cor mais bonita de todas
Tinha poucos sonhos
Muito poucos sonhos
Tinha mais realidade
Tinha um palco
Um piano
E um cara calado ao piano no palco
Esperando a hora do concerto começar
Tinha gente tomando vinho
E gente comentando a vida
Comentando as dificuldades da vida
Que são tão difíceis de superar
Tinha distância das pessoas não desejadas
E menos saudade das pessoas que se quer
Tinha pessoas
Tinha uma rua iluminada
Tinha tristeza e alegria
Na medida adequada
Tinha fim de semana toda semana
Tinha mercado com frutas e flores
Mesmo que eu só comprasse as frutas
Tinha pai e mãe
Tinha eu
Sabe aquela vida que uma vez sonhei?
Eu queria ela pra mim.
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
Feliz Dezembro!
Quando eu era criança, eu achava que o Natal era o mês todo de dezembro. E talvez tenha sido nessa época que eu comecei a gostar muito de Natal.
Não sei se eram os enfeites, a ideia dos presentes, os ensaios pras peças de teatro pra comemorar a época, os amigo-ocultos... ou se era tudo isso junto!
Só sei que eu me preparava, ensaiava as músicas que ia cantar no coralzinho da igreja, ficava vibrante esperando o dia da peça chegar, comprava canetas bic pra dar pra família (era a única coisa que meu dinheiro permitia comprar sem pedir muita ajuda alheia - mas eu comprava de cores diferentes pra cada membro da família: meu pai ganhava preta, minha mãe vermelha, meu irmão azul ou verde). Me lembrei agora do ano em que eu fiz um cofrinho num pote de margarina e pedi umas moedas pros meus pais, sem dizer pra que era. Claro, era surpresa. Adivinha o que fiz com o dinheiro arrecadado? Comprei umas canetas pra eles. E nesse ano a minha mãe ganhou uma caneta especial, com um ursinho na tampa! Show!
Eram os melhores Natais do mundo! Pois eram de verdade.
Claro que teve um ano em que eu fiz birra porque não ganhei o presente que queria. E era um truque. O presente estava comprado, mas fingiram a princípio que não. (Talvez nesse momento eu já tenha mostrado a pessoa ruim que eu era e sou. Mas ok, passou desapercebido como birra de criança).
Em algum certo momento eu descobri que o Natal era um dia só. (Momento de silêncio). Foi uma grande decepção. Muitas coisas precisaram se reconfigurar na minha cabeça. Mas ok, eu superei.
Continuei gostando demais do Natal!
Talvez pelas luzes, as novidades gastronômicas, o kitsch... ou talvez tudo isso junto!
Gosto de ir à igreja na noite de Natal. Pensar no momento que ele representa, na realidade do fato e nas metáforas possíveis. Nesse dia eu gosto de dizer obrigado.
Porém de um tempo pra cá, as coisas mudaram um pouco. Sinto um pouco de tristeza nessa época por pensar nos que estão longe e nos que estão bem mais longe. Mas, por outro lado, lembro dos momentos de Natal passados juntos. E nos sinos que tocaram no Natal de 2008 num dos momentos natalinos mais simples, sinceros e belos da minha vida, quando eu e meu pai estávamos sentados na varanda à meia-noite, em silêncio, os sinos da matriz tocaram e ele apenas disse: É Natal. E eu fiquei feliz. Muito feliz.
Mas o que mais me pesa ultimamente nessa época que ainda adoro é pensar como as igrejas a estão desprezando. Parece que não têm mais o que comemorar. Sinto como se declarassem falência.
Este ano fiquei sabendo que minha igreja não terá um culto de Natal. No ano passado já não houve no dia 24, apenas no 25. Esse ano será no dia 26, pra já aproveitar o dia, domingo, quando todos vão à igreja, talvez.
Acho que pensam que estar em casa comendo peru de Natal pode ser mais importante. Talvez possa. Mas eu ainda não acho. Me vieram com a justificativa de que dia 24 é o dia de estar com a família. Concordo. E também é o dia, pra mim, de dedicar um tempo para lembrar de um amor que eu jamais serei capaz de copiar.
Se eu posso lembrar disso em casa? Claro. Na rua também. No carro, no parque, na loja... Em qualquer lugar. Mas não entendo porque a igreja não quer mais lembrar e dedicar tempo pra um momento tão especial na sua crença. E na sua base.
Não entendo.
Falência? Penso que talvez. E isso me deixa preocupado.
Ainda bem que o amor é algo que mora no coração de cada um e não em um prédio ou em uma instituição. E ainda bem que a igreja somos nós e não um prédio, uma instituição, uma liderança terrena ou uma opinião de alguns ou de vários.
Ainda bem.
Pois eu sei que com culto ou com as portas fechadas da igreja, sabendo que o primeiro Natal não necessariamente aconteceu num dia 25 de dezembro, entendendo que essa comercialização dos fatos está desconfigurando o mundo... Ainda assim eu sei que uma estrela apareceu no céu sobre uma pequena cidade há mais de 2000 anos pra mostrar que a salvação chegou. E está entre nós!
Feliz Dezembro!
Não sei se eram os enfeites, a ideia dos presentes, os ensaios pras peças de teatro pra comemorar a época, os amigo-ocultos... ou se era tudo isso junto!
Só sei que eu me preparava, ensaiava as músicas que ia cantar no coralzinho da igreja, ficava vibrante esperando o dia da peça chegar, comprava canetas bic pra dar pra família (era a única coisa que meu dinheiro permitia comprar sem pedir muita ajuda alheia - mas eu comprava de cores diferentes pra cada membro da família: meu pai ganhava preta, minha mãe vermelha, meu irmão azul ou verde). Me lembrei agora do ano em que eu fiz um cofrinho num pote de margarina e pedi umas moedas pros meus pais, sem dizer pra que era. Claro, era surpresa. Adivinha o que fiz com o dinheiro arrecadado? Comprei umas canetas pra eles. E nesse ano a minha mãe ganhou uma caneta especial, com um ursinho na tampa! Show!
Eram os melhores Natais do mundo! Pois eram de verdade.
Claro que teve um ano em que eu fiz birra porque não ganhei o presente que queria. E era um truque. O presente estava comprado, mas fingiram a princípio que não. (Talvez nesse momento eu já tenha mostrado a pessoa ruim que eu era e sou. Mas ok, passou desapercebido como birra de criança).
Em algum certo momento eu descobri que o Natal era um dia só. (Momento de silêncio). Foi uma grande decepção. Muitas coisas precisaram se reconfigurar na minha cabeça. Mas ok, eu superei.
Continuei gostando demais do Natal!
Talvez pelas luzes, as novidades gastronômicas, o kitsch... ou talvez tudo isso junto!
Gosto de ir à igreja na noite de Natal. Pensar no momento que ele representa, na realidade do fato e nas metáforas possíveis. Nesse dia eu gosto de dizer obrigado.
Porém de um tempo pra cá, as coisas mudaram um pouco. Sinto um pouco de tristeza nessa época por pensar nos que estão longe e nos que estão bem mais longe. Mas, por outro lado, lembro dos momentos de Natal passados juntos. E nos sinos que tocaram no Natal de 2008 num dos momentos natalinos mais simples, sinceros e belos da minha vida, quando eu e meu pai estávamos sentados na varanda à meia-noite, em silêncio, os sinos da matriz tocaram e ele apenas disse: É Natal. E eu fiquei feliz. Muito feliz.
Mas o que mais me pesa ultimamente nessa época que ainda adoro é pensar como as igrejas a estão desprezando. Parece que não têm mais o que comemorar. Sinto como se declarassem falência.
Este ano fiquei sabendo que minha igreja não terá um culto de Natal. No ano passado já não houve no dia 24, apenas no 25. Esse ano será no dia 26, pra já aproveitar o dia, domingo, quando todos vão à igreja, talvez.
Acho que pensam que estar em casa comendo peru de Natal pode ser mais importante. Talvez possa. Mas eu ainda não acho. Me vieram com a justificativa de que dia 24 é o dia de estar com a família. Concordo. E também é o dia, pra mim, de dedicar um tempo para lembrar de um amor que eu jamais serei capaz de copiar.
Se eu posso lembrar disso em casa? Claro. Na rua também. No carro, no parque, na loja... Em qualquer lugar. Mas não entendo porque a igreja não quer mais lembrar e dedicar tempo pra um momento tão especial na sua crença. E na sua base.
Não entendo.
Falência? Penso que talvez. E isso me deixa preocupado.
Ainda bem que o amor é algo que mora no coração de cada um e não em um prédio ou em uma instituição. E ainda bem que a igreja somos nós e não um prédio, uma instituição, uma liderança terrena ou uma opinião de alguns ou de vários.
Ainda bem.
Pois eu sei que com culto ou com as portas fechadas da igreja, sabendo que o primeiro Natal não necessariamente aconteceu num dia 25 de dezembro, entendendo que essa comercialização dos fatos está desconfigurando o mundo... Ainda assim eu sei que uma estrela apareceu no céu sobre uma pequena cidade há mais de 2000 anos pra mostrar que a salvação chegou. E está entre nós!
Feliz Dezembro!
domingo, 26 de setembro de 2010
Toda saudade é um cais
Eu não imaginei que pudesse ser tão difícil levantar de uma mesa de um café
E deixar pra trás tantos outros cafés e papos e dias e noites
E histórias e contos e causos e sons e silêncios
E risos e choros
E você
E eu
"Todo cais é uma saudade de pedra"
Toda saudade é um cais
Todo barco é parte de um cais
Uma parte que vai embora
Talvez todos nós sejamos partes de um cais
Uma parte que deixa o barco ir
Talvez me falte uma âncora
Talvez a vida seja mesmo cheia de cais
[silêncio]
"Todo cais é uma saudade de pedra".
E deixar pra trás tantos outros cafés e papos e dias e noites
E histórias e contos e causos e sons e silêncios
E risos e choros
E você
E eu
"Todo cais é uma saudade de pedra"
Toda saudade é um cais
Todo barco é parte de um cais
Uma parte que vai embora
Talvez todos nós sejamos partes de um cais
Uma parte que deixa o barco ir
Talvez me falte uma âncora
Talvez a vida seja mesmo cheia de cais
[silêncio]
"Todo cais é uma saudade de pedra".
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