quarta-feira, 28 de julho de 2010

Saudades...

Eu hoje não consigo deixar de pensar em alguém. Alguém que fez parte - de perto e de longe - de 25 anos da minha vida.
Alguém, na verdade, que continua fazendo parte. Mas agora apenas de longe.
Perto ainda, de certa forma, porém apenas nas memórias, nas influências, e nos traços que ficaram gravados por toda parte.

Cada vez que eu vejo um caminhão simpático, uma roça, uma broa de fubá... Cada vez que eu vejo simplicidade em alguém ou em algo... Cada vez que eu escuto ou conto uma piada ruim... Cada vez que eu vejo alguém que confia em Deus... Cada vez que eu vejo o céu de Minas Gerais...

Em cada uma dessas coisas eu vejo, de alguma forma, esse alguém. Esse alguém que não sai da minha cabeça hoje.

Há um ano esse alguém foi viajar. E deixou saudades aqui.

Sinceramente, sempre soube que sentiria saudades quando ele partisse.
Mas nunca imaginei que seriam tantas.


"Saudade é solidão acompanhada,
é quando o amor ainda não foi embora,
mas o amado já...

Saudade é amar um passado que ainda não passou,
é recusar um presente que nos machuca,
é não ver o futuro que nos convida...

Saudade é sentir que existe o que não existe mais...

Saudade é o inferno dos que perderam,
é a dor dos que ficaram para trás,
é o gosto de morte na boca dos que continuam...

Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:
aquela que nunca amou.
(...)"

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Carta


"Há muito tempo, sim, não te escrevo.
Ficaram velhas todas as notícias.
Eu mesmo envelhecí: olha em relevo
estes sinais em mim, não das carícias
(tão leves) que fazias no meu rosto:
são golpes, são espinhos, são lembranças
da vida a teu menino, que a sol-posto
perde a sabedoria das crianças.

A falta que me fazes não é tanto
à hora de dormir, quando dizias
“Deus te abençoe”, e a noite abria em sonho.

É quando, ao despertar, revejo a um canto
a noite acumulada de meus dias,
e sinto que estou vivo, e que não sonho."

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Reticências


Eu ia falar de um sonho que tive. Mas acho que não quero mais escrever sobre ele. Só vou dizer que foi muito bonito e deixou claro que eu estou morrendo de saudades de algumas pessoas queridas.
Mas eles devem estar numa festa tão grande juntos que o que eu preciso é ficar contente, pela felicidade deles.
:)

sábado, 19 de junho de 2010

"Things are never quite as scary when you've got a best friend"


Hoje um ser pequeno e gordinho virou apenas memória. Depois de 13 anos de amizade, virou memória. Como diria Emília, piscou pela última vez.
Foi um grande amigo desde o começo, sempre levado, brincalhão, bagunceiro e comilão. Foi ficando velhinho, até que se tornou mais quietinho, menos brincalhão, mas com o mesmo olhar desde o começo. Aquele olhar de sinceridade que tem os cachorros. Aquele olhar que falta a quase todos os humanos.
Depois de uma semana mais fraquinho, hoje foi passear por outros lados. Fazer xixi em outros postes.
Fico imaginando ele chegando do outro lado, com aquele cara de desconfiado, e, surpreso, vendo o seu Tio Lázaro, que gostava tanto dele, dizendo: "meu preto, você veio..."
Acho que eu queria estar nessa festa também, viu.
O lado de cá da eternidade tem umas saudades que parecem eternas, viu.
Se tem uma coisa que eu descubro mais e mais a cada dia, é que tudo tem seu fim.
Normal. Mas ao mesmo tempo, é a coisa mais inacreditável pra mim.
Acho que eu pensava que tudo era pra sempre.

Rest in peace, my beloved ones.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Far Far

"Far far, there's this little girl
She was praying for something to happen to her
Everyday she writes words and more words
Just to speak out the thoughts that keep floating inside
And she's strong when the dreams come cos' they
Take her, cover her, they are all over
The reality looks far now,
but don't go

How can you stay outside?
There's a beautiful mess inside
How can you stay outside?
There's a beautiful mess inside

Far far, there's this little girl
She was praying for something good to happen to her
From time to time there are colors and shapes
Dazzling her eyes, tickling her hands
They invent her a new world with
Oil skies and aquarel rivers
But don't you run away already
Please don't go

How can you stay outside?
There's a beautiful mess inside
How an you stay outside?
There's a beautiful mess inside

Take a deep breath and dive
There's a beautiful mess inside
How can you stay outside?
There's a beautiful mess
Beautiful mess inside

Far far there's this little girl
She was praying for something big to happen to her
Every night she hears beautiful strange music
It's everywhere, there's nowhere to hide
But if it fades she begs
'Oh lord don't take it from me, don't take it'
I guess I'll have to give it birth

There's a beautiful mess inside and it's everywhere
Just look at yourself now
deep inside
Deeper than you ever dared
Deeper than you ever dared
There's a beautiful mess inside"

quarta-feira, 28 de abril de 2010

(Sem título, hoje)

"Eu ando pelo mundo prestando atenção em cores que eu não sei o nome..."
E eu não tenho gostado das cores que eu tenho visto. Nem das que tenho visto em mim nem nos outros.
É tanta diferença, tanta diferença. Tanto eu em mim.
É tanta gente precisando de comida, de roupa, de um abraço, de amor. De algum amor. "Qualquer amor".
Eu sofro por dentro ao pensar nas pessoas que estão por aí sem casa, mas principalmente sem lar. Sem uma memória boa de alguém pra amar. Sem a imaginação de qualquer porto pra ancorar.
Pessoas para quem a esperança já foi a última a morrer. E não restou mais nada.
E, mesmo assim, não consigo fazer nada. Sofro por elas, mas não com elas. Ou seja, não faço nada.
Alguém aceita me dar a mão, me puxar e me fazer mudar esse mundo?

sábado, 3 de abril de 2010

"And in time we will all be stars..."


Sabe o que tenho notado? Que a vida só anda pra frente. Por mais que a gente deseje parar, ela não para. Voltar seria mesmo ótimo, mas nem isso seria necessário. Parar já seria um alívio. Impossível.
E, como eu li em um belo blog ontem, "não adianta querer as coisas que não existem." Triste realidade. Real realidade.
Então só nos resta andar pra frente também. Puxados, arrastados, ou seja lá como for, mas pra frente.
Dizem que, por fim, isso faz bem.
Talvez se tivéssemos a opção de ficar parados seria pior. Não sei. Realmente não sei. Eu acho que correria o risco. Ah, correria... só o risco. Pois correr é um verbo que eu gostaria de eliminar.
A vida corre demais. E minhas pernas nem sempre acompanham.
Acho que preciso me exercitar mais pra viver. Ganhar fôlego e retomar o caminho.
Talvez desenhar um novo caminho e tomá-lo, pela primeira vez.
Tenho olhado muito pelo retrovisor e tenho visto tanta coisa, tanta estrada. E nessa estrada cheia de neblina que está a minha frente, parece que vai chegar um cruzamento. As placas já indicaram.
Eu ainda não sei qual direção tomar. Meus mapas só iam até o último kilômetro que passou. Logo, logo será hora de desenhar a próxima curva e seguir. Pra dentro da neblina pra descobrir o outro lado.
Alguns dizem que o novo pode ser muito bom, e até mesmo muito melhor que o que tínhamos. Pode mesmo! Não sou pessimista em relação a isso, como vários pensam.
Mas sei que as estradas até aqui são difíceis de deixar.
Acho que no próximo cruzamento vou parar, desligar o carro, descer e seguir.
A pé e descalço.