"Estoy aquí de paso, yo soy un pasajero.
No quiero llevarme nada,
ni usar el mundo de cenicero.
Estoy aqui sin nombre
y sin saber mi paradero,
me han dado alojamiento
el mas antiguo de los viveros.
Si quisiera regresar
ya no sabria hacia donde.
Pregunto al jardinero
y el jardinero no me responde.
Hay gente que es de un lugar,
no es mi caso yo estoy aquí de paso
El mar moverá la luna o la luna a las mareas,
se nace lo que se es
o se sera aquello lo que se crea.
Yo estoy aqui perplejo,
no soy mas que todo oidos,
me quedo con mucha suerte
tres mil millones de mis latidos..."
sábado, 15 de janeiro de 2011
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
Aquela vida que eu sonhei
Sabe aquela vida que uma vez sonhei?
Tinha vários labradores sendo levados pra passear pelos donos
E crianças aprendendo a caminhar
Com aquele jeito caindo pra frente
Que só as crianças têm
Tinha pessoas educadas, mas sérias
Felizes, mas sóbrias
Pessoas que sorriam mais do que riam
Tinha pessoas
Tinha árvores e folhas
Mas poucas flores
Tinha cores, mas poucas
Tinha preto
Tinha branco
E tinha silêncio
Que é a cor mais bonita de todas
Tinha poucos sonhos
Muito poucos sonhos
Tinha mais realidade
Tinha um palco
Um piano
E um cara calado ao piano no palco
Esperando a hora do concerto começar
Tinha gente tomando vinho
E gente comentando a vida
Comentando as dificuldades da vida
Que são tão difíceis de superar
Tinha distância das pessoas não desejadas
E menos saudade das pessoas que se quer
Tinha pessoas
Tinha uma rua iluminada
Tinha tristeza e alegria
Na medida adequada
Tinha fim de semana toda semana
Tinha mercado com frutas e flores
Mesmo que eu só comprasse as frutas
Tinha pai e mãe
Tinha eu
Sabe aquela vida que uma vez sonhei?
Eu queria ela pra mim.
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
Feliz Dezembro!
Quando eu era criança, eu achava que o Natal era o mês todo de dezembro. E talvez tenha sido nessa época que eu comecei a gostar muito de Natal.
Não sei se eram os enfeites, a ideia dos presentes, os ensaios pras peças de teatro pra comemorar a época, os amigo-ocultos... ou se era tudo isso junto!
Só sei que eu me preparava, ensaiava as músicas que ia cantar no coralzinho da igreja, ficava vibrante esperando o dia da peça chegar, comprava canetas bic pra dar pra família (era a única coisa que meu dinheiro permitia comprar sem pedir muita ajuda alheia - mas eu comprava de cores diferentes pra cada membro da família: meu pai ganhava preta, minha mãe vermelha, meu irmão azul ou verde). Me lembrei agora do ano em que eu fiz um cofrinho num pote de margarina e pedi umas moedas pros meus pais, sem dizer pra que era. Claro, era surpresa. Adivinha o que fiz com o dinheiro arrecadado? Comprei umas canetas pra eles. E nesse ano a minha mãe ganhou uma caneta especial, com um ursinho na tampa! Show!
Eram os melhores Natais do mundo! Pois eram de verdade.
Claro que teve um ano em que eu fiz birra porque não ganhei o presente que queria. E era um truque. O presente estava comprado, mas fingiram a princípio que não. (Talvez nesse momento eu já tenha mostrado a pessoa ruim que eu era e sou. Mas ok, passou desapercebido como birra de criança).
Em algum certo momento eu descobri que o Natal era um dia só. (Momento de silêncio). Foi uma grande decepção. Muitas coisas precisaram se reconfigurar na minha cabeça. Mas ok, eu superei.
Continuei gostando demais do Natal!
Talvez pelas luzes, as novidades gastronômicas, o kitsch... ou talvez tudo isso junto!
Gosto de ir à igreja na noite de Natal. Pensar no momento que ele representa, na realidade do fato e nas metáforas possíveis. Nesse dia eu gosto de dizer obrigado.
Porém de um tempo pra cá, as coisas mudaram um pouco. Sinto um pouco de tristeza nessa época por pensar nos que estão longe e nos que estão bem mais longe. Mas, por outro lado, lembro dos momentos de Natal passados juntos. E nos sinos que tocaram no Natal de 2008 num dos momentos natalinos mais simples, sinceros e belos da minha vida, quando eu e meu pai estávamos sentados na varanda à meia-noite, em silêncio, os sinos da matriz tocaram e ele apenas disse: É Natal. E eu fiquei feliz. Muito feliz.
Mas o que mais me pesa ultimamente nessa época que ainda adoro é pensar como as igrejas a estão desprezando. Parece que não têm mais o que comemorar. Sinto como se declarassem falência.
Este ano fiquei sabendo que minha igreja não terá um culto de Natal. No ano passado já não houve no dia 24, apenas no 25. Esse ano será no dia 26, pra já aproveitar o dia, domingo, quando todos vão à igreja, talvez.
Acho que pensam que estar em casa comendo peru de Natal pode ser mais importante. Talvez possa. Mas eu ainda não acho. Me vieram com a justificativa de que dia 24 é o dia de estar com a família. Concordo. E também é o dia, pra mim, de dedicar um tempo para lembrar de um amor que eu jamais serei capaz de copiar.
Se eu posso lembrar disso em casa? Claro. Na rua também. No carro, no parque, na loja... Em qualquer lugar. Mas não entendo porque a igreja não quer mais lembrar e dedicar tempo pra um momento tão especial na sua crença. E na sua base.
Não entendo.
Falência? Penso que talvez. E isso me deixa preocupado.
Ainda bem que o amor é algo que mora no coração de cada um e não em um prédio ou em uma instituição. E ainda bem que a igreja somos nós e não um prédio, uma instituição, uma liderança terrena ou uma opinião de alguns ou de vários.
Ainda bem.
Pois eu sei que com culto ou com as portas fechadas da igreja, sabendo que o primeiro Natal não necessariamente aconteceu num dia 25 de dezembro, entendendo que essa comercialização dos fatos está desconfigurando o mundo... Ainda assim eu sei que uma estrela apareceu no céu sobre uma pequena cidade há mais de 2000 anos pra mostrar que a salvação chegou. E está entre nós!
Feliz Dezembro!
Não sei se eram os enfeites, a ideia dos presentes, os ensaios pras peças de teatro pra comemorar a época, os amigo-ocultos... ou se era tudo isso junto!
Só sei que eu me preparava, ensaiava as músicas que ia cantar no coralzinho da igreja, ficava vibrante esperando o dia da peça chegar, comprava canetas bic pra dar pra família (era a única coisa que meu dinheiro permitia comprar sem pedir muita ajuda alheia - mas eu comprava de cores diferentes pra cada membro da família: meu pai ganhava preta, minha mãe vermelha, meu irmão azul ou verde). Me lembrei agora do ano em que eu fiz um cofrinho num pote de margarina e pedi umas moedas pros meus pais, sem dizer pra que era. Claro, era surpresa. Adivinha o que fiz com o dinheiro arrecadado? Comprei umas canetas pra eles. E nesse ano a minha mãe ganhou uma caneta especial, com um ursinho na tampa! Show!
Eram os melhores Natais do mundo! Pois eram de verdade.
Claro que teve um ano em que eu fiz birra porque não ganhei o presente que queria. E era um truque. O presente estava comprado, mas fingiram a princípio que não. (Talvez nesse momento eu já tenha mostrado a pessoa ruim que eu era e sou. Mas ok, passou desapercebido como birra de criança).
Em algum certo momento eu descobri que o Natal era um dia só. (Momento de silêncio). Foi uma grande decepção. Muitas coisas precisaram se reconfigurar na minha cabeça. Mas ok, eu superei.
Continuei gostando demais do Natal!
Talvez pelas luzes, as novidades gastronômicas, o kitsch... ou talvez tudo isso junto!
Gosto de ir à igreja na noite de Natal. Pensar no momento que ele representa, na realidade do fato e nas metáforas possíveis. Nesse dia eu gosto de dizer obrigado.
Porém de um tempo pra cá, as coisas mudaram um pouco. Sinto um pouco de tristeza nessa época por pensar nos que estão longe e nos que estão bem mais longe. Mas, por outro lado, lembro dos momentos de Natal passados juntos. E nos sinos que tocaram no Natal de 2008 num dos momentos natalinos mais simples, sinceros e belos da minha vida, quando eu e meu pai estávamos sentados na varanda à meia-noite, em silêncio, os sinos da matriz tocaram e ele apenas disse: É Natal. E eu fiquei feliz. Muito feliz.
Mas o que mais me pesa ultimamente nessa época que ainda adoro é pensar como as igrejas a estão desprezando. Parece que não têm mais o que comemorar. Sinto como se declarassem falência.
Este ano fiquei sabendo que minha igreja não terá um culto de Natal. No ano passado já não houve no dia 24, apenas no 25. Esse ano será no dia 26, pra já aproveitar o dia, domingo, quando todos vão à igreja, talvez.
Acho que pensam que estar em casa comendo peru de Natal pode ser mais importante. Talvez possa. Mas eu ainda não acho. Me vieram com a justificativa de que dia 24 é o dia de estar com a família. Concordo. E também é o dia, pra mim, de dedicar um tempo para lembrar de um amor que eu jamais serei capaz de copiar.
Se eu posso lembrar disso em casa? Claro. Na rua também. No carro, no parque, na loja... Em qualquer lugar. Mas não entendo porque a igreja não quer mais lembrar e dedicar tempo pra um momento tão especial na sua crença. E na sua base.
Não entendo.
Falência? Penso que talvez. E isso me deixa preocupado.
Ainda bem que o amor é algo que mora no coração de cada um e não em um prédio ou em uma instituição. E ainda bem que a igreja somos nós e não um prédio, uma instituição, uma liderança terrena ou uma opinião de alguns ou de vários.
Ainda bem.
Pois eu sei que com culto ou com as portas fechadas da igreja, sabendo que o primeiro Natal não necessariamente aconteceu num dia 25 de dezembro, entendendo que essa comercialização dos fatos está desconfigurando o mundo... Ainda assim eu sei que uma estrela apareceu no céu sobre uma pequena cidade há mais de 2000 anos pra mostrar que a salvação chegou. E está entre nós!
Feliz Dezembro!
domingo, 26 de setembro de 2010
Toda saudade é um cais
Eu não imaginei que pudesse ser tão difícil levantar de uma mesa de um café
E deixar pra trás tantos outros cafés e papos e dias e noites
E histórias e contos e causos e sons e silêncios
E risos e choros
E você
E eu
"Todo cais é uma saudade de pedra"
Toda saudade é um cais
Todo barco é parte de um cais
Uma parte que vai embora
Talvez todos nós sejamos partes de um cais
Uma parte que deixa o barco ir
Talvez me falte uma âncora
Talvez a vida seja mesmo cheia de cais
[silêncio]
"Todo cais é uma saudade de pedra".
E deixar pra trás tantos outros cafés e papos e dias e noites
E histórias e contos e causos e sons e silêncios
E risos e choros
E você
E eu
"Todo cais é uma saudade de pedra"
Toda saudade é um cais
Todo barco é parte de um cais
Uma parte que vai embora
Talvez todos nós sejamos partes de um cais
Uma parte que deixa o barco ir
Talvez me falte uma âncora
Talvez a vida seja mesmo cheia de cais
[silêncio]
"Todo cais é uma saudade de pedra".
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
"Que tem o inefável comigo?"
Alguém um dia perguntou por aí: "Que tem o Inefável comigo?"
Pois eu faria a mesma pergunta. Afinal, por que tanta falta de palavras para descrever a complexidade da simplicidade de tudo?
O que é que quer o inefável comigo?
Talvez não haja, na verdade, falta de palavras. Talvez elas apenas tomem outra proporção e por isso precisem de outra forma de organização: em cinco linhas, lidas de baixo pra cima, com possibilidade de extensões pra cima e pra baixo.
Pois eu faria a mesma pergunta. Afinal, por que tanta falta de palavras para descrever a complexidade da simplicidade de tudo?
O que é que quer o inefável comigo?
Talvez não haja, na verdade, falta de palavras. Talvez elas apenas tomem outra proporção e por isso precisem de outra forma de organização: em cinco linhas, lidas de baixo pra cima, com possibilidade de extensões pra cima e pra baixo.
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
E se a primavera chegar...
E se a primavera este ano chegar sem flores?
Talvez então seja o tempo de plantar.
Às vezes o vento é forte e a primavera chega ainda com um certo frio do inverno.
Mas as estações continuam mudando, sempre. Cada uma depois da outra.
Às vezes se misturando umas com as outras.
Talvez seja tempo de se esforçar.
E se a primavera este ano chegar sem folhas?
Talvez seja sinal de que no próximo outono pouco há de cair.
Talvez seja o sinal de que as coisas começam a se manter
Pra depois renascer.
Talvez.
E se a primavera este ano chegar sem troncos?
Pode ser indicação de que é hora de migrar.
As árvores não migram; elas têm troncos.
Talvez seja tempo de seguir o vento e recriar.
Verdejar.
Até parar por aí
Se for mesmo necessário parar
Antes da próxima primavera.
E se a primavera este ano chegar sem raízes?
Bem...
Sem raízes não é possível nem ficar, nem caminhar, nem recomeçar.
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
Em poucas palavras...
Eu acordo e olho pros lados pensando no que devo fazer
Abro a janela, a cortina e preparo o café
Forte, quente e começo o dia
Penso em ler algo que deveria ler
Não leio
Às vezes leio outra coisa também, de certa forma, importante
Leio nesta e em outras línguas
Leio
Cantarolo algo aparentemente sem sentido
Nesta e em outras línguas
Olho para o piano que eu deveria tocar e não toco
Não sei
Aquela é uma língua já difícil demais pra mim
Penso no parque
Não vou
Penso na piscina
Não vou
Às vezes vou pra um deles
No geral não vou
Penso
Repenso
Desisto
E penso algo diferente
Cantarolo algo novo
Crio no meio do cantarolar
E paro
Penso de novo
Me arrumo
Às vezes demoro
Às vezes não
Cantarolo algo no banho
Mas não gosto muito de cantarolar no banho
Penso na roupa
Às vezes não penso
Penso no relógio
Nele sempre penso
Caminho até o metrô
Cantarolando algo bem alto
Cantarolo no metrô também
Saio, ando, desço, subo, paro, vou, volto
Chego
Entro
Começo
Cumprimento
Sorrio
Ando pelas escadas
Elevadores
Cantarolando alguma coisa cult
Às vezes é preciso ser cult
Como
Olho pela janela e esqueço de tudo
Lembro de novo
Digito
Leio
Atendo
Ligo
Crio problemas
Criam problemas
Resolvo
Às vezes não resolvo
Chamo pelo rádio
Escuto resposta
Às vezes não escuto
Me xingam
Tento ser educado
Às vezes não sou
Normalmente sou
Desligo
Cantarolo algo em outra língua bem distante
Assim ninguém entederá
Algumas poucas pessoas sim
Mas poucas
Sempre são poucas pessoas que entendem qualquer de nossas línguas
Mesmo se for a mesma delas
Desisto
Recomeço
Sorrio
Recebo pessoas
Sorrio
Faço a introdução de algo que vai começar
Algo começa
Sorrio
Paro
Saio
Ouço silêncio
Desço
Volto
Encerro
Saio
Às vezes encontro uma pessoa especial
Às vezes não
Refaço uma rotina já dita antes
Mas ao contrário
Não cantorolo
Desisto
Chego
Tiro os sapatos
Deito virado para o lado oposto da cama
E percebo que cantarolar é a coisa mais de verdade que eu faço na minha vida
Mas só eu acredito nisso
...
Durmo
Abro a janela, a cortina e preparo o café
Forte, quente e começo o dia
Penso em ler algo que deveria ler
Não leio
Às vezes leio outra coisa também, de certa forma, importante
Leio nesta e em outras línguas
Leio
Cantarolo algo aparentemente sem sentido
Nesta e em outras línguas
Olho para o piano que eu deveria tocar e não toco
Não sei
Aquela é uma língua já difícil demais pra mim
Penso no parque
Não vou
Penso na piscina
Não vou
Às vezes vou pra um deles
No geral não vou
Penso
Repenso
Desisto
E penso algo diferente
Cantarolo algo novo
Crio no meio do cantarolar
E paro
Penso de novo
Me arrumo
Às vezes demoro
Às vezes não
Cantarolo algo no banho
Mas não gosto muito de cantarolar no banho
Penso na roupa
Às vezes não penso
Penso no relógio
Nele sempre penso
Caminho até o metrô
Cantarolando algo bem alto
Cantarolo no metrô também
Saio, ando, desço, subo, paro, vou, volto
Chego
Entro
Começo
Cumprimento
Sorrio
Ando pelas escadas
Elevadores
Cantarolando alguma coisa cult
Às vezes é preciso ser cult
Como
Olho pela janela e esqueço de tudo
Lembro de novo
Digito
Leio
Atendo
Ligo
Crio problemas
Criam problemas
Resolvo
Às vezes não resolvo
Chamo pelo rádio
Escuto resposta
Às vezes não escuto
Me xingam
Tento ser educado
Às vezes não sou
Normalmente sou
Desligo
Cantarolo algo em outra língua bem distante
Assim ninguém entederá
Algumas poucas pessoas sim
Mas poucas
Sempre são poucas pessoas que entendem qualquer de nossas línguas
Mesmo se for a mesma delas
Desisto
Recomeço
Sorrio
Recebo pessoas
Sorrio
Faço a introdução de algo que vai começar
Algo começa
Sorrio
Paro
Saio
Ouço silêncio
Desço
Volto
Encerro
Saio
Às vezes encontro uma pessoa especial
Às vezes não
Refaço uma rotina já dita antes
Mas ao contrário
Não cantorolo
Desisto
Chego
Tiro os sapatos
Deito virado para o lado oposto da cama
E percebo que cantarolar é a coisa mais de verdade que eu faço na minha vida
Mas só eu acredito nisso
...
Durmo
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